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Vegetação nativa cai para 65% do território brasileiro em 41 anos

João Alencar Por João Alencar 12 de Agosto de 2026 às 09:00 3 min de leitura 1 visualizações 0 comentários
Vegetação nativa cai para 65% do território brasileiro em 41 anos
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A vegetação nativa brasileira foi reduzida para 65% do território nacional entre 1985 e 2025, segundo dados da Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas, divulgados nesta quarta-feira (12). O levantamento mostra ainda o avanço da agropecuária e aponta que áreas onde as florestas foram preservadas apresentaram maior resistência aos efeitos do El Niño.

A nova coleção apresenta o mapeamento de 41 anos de transformações no território brasileiro, considerando 33 classes de cobertura da terra, entre biomas, atividades humanas, tipos de vegetação e superfícies de água.

Nesta edição, os dados foram cruzados com informações da plataforma MapBiomas Atmosfera, responsável pelo monitoramento do clima e da qualidade do ar no país. A análise considerou especialmente extremos climáticos, como secas e chuvas intensas, entre setembro e novembro durante os episódios de El Niño de 1997/1998, 2015/2016 e 2023/2024.

Nos períodos em que o El Niño apresentou maior intensidade, a maior parte dos biomas brasileiros foi atingida por secas e redução das chuvas. As exceções ocorreram no Pampa e em parte da Mata Atlântica, onde houve aumento da precipitação.

A Amazônia foi o bioma mais afetado pelo déficit de chuvas nos três episódios analisados. Durante o El Niño de 2023/2024, os efeitos mais intensos foram registrados em áreas destinadas à agropecuária que anteriormente eram ocupadas por florestas.

Nessas regiões, houve uma redução de 178 milímetros de precipitação em relação à média histórica.

O Pantanal também sofreu impactos severos no último El Niño e registrou, em 2024, o ano mais seco da série histórica. No Cerrado e na porção norte da Mata Atlântica, a intensidade da seca aumentou a cada novo episódio analisado, com forte impacto sobre áreas de vegetação nativa.

No Pampa, as áreas agropecuárias também estiveram entre as mais afetadas pelos extremos climáticos. Diferentemente da Amazônia, porém, o impacto ocorreu pelo excesso de chuvas, principalmente nos dois episódios mais recentes.

Agropecuária ocupa 32% do Brasil

O levantamento aponta um avanço expressivo da agropecuária sobre o território nacional. Em 1985, a atividade ocupava 18% do Brasil. Em 2025, essa participação chegou a 32%.

Ao longo dos 41 anos, as áreas de pastagem cresceram 61,6 milhões de hectares, enquanto a agricultura avançou sobre outros 48 milhões de hectares.

A expansão ocorreu de maneira desigual sobre áreas anteriormente ocupadas por vegetação nativa nos seis biomas brasileiros. Amazônia e Cerrado apresentaram as maiores perdas absolutas, com reduções de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente.

A Caatinga perdeu 10,1 milhões de hectares, seguida pela Mata Atlântica, com 4,9 milhões, pelo Pampa, com 4 milhões, e pelo Pantanal, com 1,9 milhão de hectares.

Maranhão passa de 91% para 61% de vegetação nativa

No recorte por unidades da Federação, 25 dos 26 estados e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa em seus territórios entre 1985 e 2025. O Rio de Janeiro foi a única exceção, registrando recuperação equivalente a 1% do território estadual.

Entre os estados com as maiores perdas proporcionais está o Maranhão, onde a vegetação nativa passou de 91% do território em 1985 para 61% em 2025, uma redução de 30 pontos percentuais em quatro décadas.

A maior queda proporcional foi registrada em Rondônia, que passou de 92% para 59% de vegetação nativa. Mato Grosso e Tocantins também aparecem entre os estados com maiores reduções, ambos passando de 90% para 61% no período analisado.

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